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Um Homem: Klaus Klump, Gonçalo M. Tavares
"Um Homem: Klaus Klump" é o primeiro livro da tetralogia "O Reino". Quatro livros de capa preta cujo tema central é o mal.
Este livro conta a história de uma guerra que devasta o mundo interior e exterior de cada homem. As guerras mutilam os membros e os sentimentos, impõem os seus caprichos, violam a integridade de cada ser, e nunca acabam sem deixar um rasto de dor e amargura.
A família Klump é abastada e na guerra essa é uma condição que tem influência sobre a ordem natural dos acontecimentos. No entanto, Klaus é um homem que sente a guerra tal como ela é, um manto negro que cobre o alvo da sua invasão. A guerra manifesta-se pela imposição de uma outra música, a do estrangeiro que se apropria da nova terra. O som é também uma arma poderosa, o som das balas, que se repete de forma exacta. "O que mais assustava Klaus era esse modo infalível de cópia. O facto de uma arma conseguir, nas mesmas condições, repetir exactamente o som em duas balas. Era essa possibilidade que o assustava e o fazia temer essa terceira linguagem, mais do que as outras. Porque a possibilidade de cópia exacta, de repetição perfeita, era uma suspensão evidente do tempo habitual, do tempo que os humanos e a natureza conhecem: o tempo que avança, que muda, que altera as coisas."
Quando tudo acaba, quando o som das balas cessa, teme-se esta nova realidade. Os que souberam fazer parte da engrenagem desta máquina destruidora libertam-se dos destroços e partem à conquista de novas alianças. O mundo está permanentemente em mutação, é fundamental sentir-lhe o pulso e adaptar o seu ritmo.
Estado de Guerra
Estado de Guerra é um relato, tão invulgar quanto extraordinário, sobre o que a guerra é para os que nela, efectivamente, participam. Os que saiem do conforto dos seus lares, que abandonam as suas famílias, para lutarem pela sua pátria. Sempre achei que este ideologismo patriota não passa de uma desculpa vã para os governantes, nos seus postos de poder, desafiarem as leis da vida e satisfazerem os seus caprichos de riqueza.
Kathryn Bigelow dá-nos uma perspectiva diferente, ao revelar as angústias e as motivações dos soldados. Uma brigada de desmantelamento de bombas. Homens que arriscam as suas vidas a cada passo que dão em direcção ao desconhecido. Um filme de guerra, onde a violência é mais psicológica que física, ao fazer-nos reflectir sobre a forma viciante que este modo de vida pode ser. Para quem nada tem, pôr a vida em risco não é um acto heróico, mas sim uma forma de viver.
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