Mostrar mensagens com a etiqueta literatura portuguesa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta literatura portuguesa. Mostrar todas as mensagens

O Amor é Fodido, Miguel Esteves Cardoso


Este é um verdadeiro ensaio sobre o amor e a forma de amar. Miguel Esteves Cardoso aborda o tema mais antigo do mundo sem pudor, sem reservas, sem moralismo e sem lamento. É o amor em cru, despido, completo, na sua verdadeira essência. E porque o amor é o tudo e o nada, resta-nos a certeza que "o amor é fodido".

A máquina de fazer espanhóis, valter hugo mãe



“A máquina de fazer espanhóis” de valter hugo mãe é um livro que nos faz viajar no tempo, invocando memórias dos nossos avós e todas as expectativas que temos em relação ao fim dos nossos dias, numa velhice de decadência e resignação.
A velhice é pois o tema central desta história, que está repleta de memórias passadas felizes e menos felizes, algumas até traumáticas, que aprisionam a vida destas personagens, que escasseia a cada dia que passa. Muitas destas memórias vêm ainda do regime autoritário de Salazar e do medo com que todos viveram as suas vidas na época. Tantos anos passados e é agora, no fim do caminho, que os fantasmas da cobardia descem à terra para atormentar as pobres almas que anseiam por um lugar no presumível céu.
A relação do homem com Deus ocupa também o centro dos pensamentos e das conversas no lar onde se desenrola toda a trama. Mais do que colocar em causa a existência divina, o que realmente importa para as almas aflitas é saber o destino que lhes está reservado. Morrer pode ser assustador se tivermos como única certeza que é isto, acabou, não há mais nada. Levamos tudo para debaixo da terra, não as casas, os carros, as roupas, as joias, mas a vergonha dos nossos gestos menos nobres, das nossas faltas, das nossas culpas, que carregamos amargamente ao longo de toda a vida e que, não sendo capazes de obter absolvição externa, levaremos ainda connosco para toda a eternidade, com a memória cruel que não soubemos dignificar esta vida com uma existência plena e feliz.
A velhice é o fim da linha, onde glorificamos e lamentamos tudo o que foi feito ou ficou por fazer. Passamos anos a fio a perder tempo com coisas menores e quando já não há tempo só nos resta aceitar as encruzilhadas que nos guiaram até ao derradeiro destino. É na velhice que sentimos que já não há mais nada por onde correr, este é o tempo de parar, refletir e contemplar.

As Três Vidas, João Tordo


Com o romance As Três Vidas, João Tordo alcançou o Prémio Literário José Saramago 2009. Há quem diga que o Prémio foi valorizado com esta obra. Estou plenamente de acordo.
A história remete-nos para uma personagem que está logo à partida em conflito com a vida, que é uma corda bamba por onde os dias passam, num limbo intermitente entre o bem e o mal.
O enredo é magnífico. Os factos estão envoltos em emoções, que levam a acções, que provocam mudanças significativas no protagonista.
Durante o tempo em que estive a ler o livro, embrenhei-me de tal forma na narrativa, que dei por mim a sofrer o pesado fardo e as constantes provações que o protagonista foi enfrentando. Senti uma tal ligação a esta personagem, que temi pelo sucesso das suas investidas e queria a todo o custo apoiá-lo nas horas de maior angústia.
Sublinhei, para mais tarde recordar, passagens absolutamente profundas, que produzem uma mensagem da condição humana e da superação de obstáculos. Todo o livro é assim uma metáfora à vida.
Destaco os momentos em que senti, com maior intensidade, a ligação que me prendeu às "três vidas" da personagem:

"a nossa inaptidão para continuar a viver a vida de todos os dias depois de certas coisas acontecerem."

"A modificação das nossas crenças não é progressiva nem pode ser ensinada, apenas induzida: acontece num momento de clarividência e implica uma passagem por um instante durante o qual aceitamos a monstruosidade do nosso ser."

"certas coisas insistem em escapar à nossa compreensão e pertencem a uma região nebulosa a que chamamos destino, que tão frequentemente usamos para fazer sentido das nossas vidas."

Parabéns João!