O amor é um jardim, que desponta na Primavera, amadurece no Verão, renova-se em cada Outono e adormece no Inverno, para que o ciclo seja retomado com energia redobrada. And that's all love!
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Mudanças
Mudar faz parte da vida, mudamos de casa, de emprego, de hábitos, de rotinas… Podemos mudar tanta coisa como o que tivermos vontade e paciência, porque mudar exige sacrifícios, adaptação, simplificação e flexibilidade. Porém, quando o caos desvanece, entre o preto e o branco que nos mesclam, o amor prevalece, pois só ele é constante em todas as mudanças da nossa vida.
O Miúdo da Bicicleta
O filme dos irmãos Dardenne que ganhou o grande prémio do Júri no Festival de Cannes em 2011 é:
Comovente. Humano. Justo.
E as principais lições a tirar são sobre:
Humildade. Rejeição. Amor.
Blue Valentine
Blue Valentine, de Derek Cianfrance, é um filme que nos deixa a pensar... A vida que cada um de nós procura, um exemplo a seguir pelos nossos filhos, construir um ambiente familiar harmonioso, ter um bom emprego, estar tranquilo e viver um dia após o outro sem grandes mudanças ou solicitações. Será este modelo de vida viável? Não me parece! A vida é mutável e inconstante. Um processo contínuo de incerteza. Um lugar comum que está sempre a ser desafiado. A vida é para ser vivida com paixão. A dúvida, a hesitação e até o erro fazem parte do caminho. O verdadeiro desafio é sermos capazes de viver uma vida comum de maneira única e transformar isso em inspiração para as coisas simples do dia-a-dia. E quando o amor acaba? É preciso reinventá-lo, porque ele é a cola que liga isto tudo.
O filme é muito bom e melhor ainda ao som de Grizzly Bear.
Prender o amor num cadeado?
No último Outono estive naquela que é considerada a cidade mais romântica do mundo: Paris. Acho que os locais são tão ou mais românticos dependendo das emoções que neles vivemos. Lembro-me de ter visto, há uns anos atrás, uma peça de teatro inspirada no filme "Before Sunrise", em que a frase "Lisboa existe porque nós a inventamos quando pensamos um no outro" podia aplicar-se a qualquer lugar no mundo, que seja especial para duas pessoas que nele se encontraram, onde viveram momentos especiais, e que hoje os faz recordá-los. No entanto, concordo que há locais propícios ao romance e uma cidade cheia de luz, atravessada por um rio, onde se respira história, cultura e se pode saborear doçarias apetitosas, é um bom exemplo disso.
Foi também em Paris que descobri algo curioso sobre o amor. Ao atravessar uma das muitas pontes que ligam as duas margens do Sena, constatei, com um misto de surpresa e incompreensão, que os gradeamentos, que percorriam a ponte, estavam repletos de cadeados! Cadeados de todos os tamanhos e feitios. A primeira vez que os vi confesso que não lhes prestei grande atenção, pois estava certamente apressada para chegar a tempo de ver uma das muitas exposições com que me deliciei no decorrer desta viagem. Porém, numa segunda passagem, a curiosidade foi mais forte e acabei por questionar uma das pessoas que por ali deambulavam. Foi com uma certa estupefacção que obtive a revelação que os cadeados são ali colocados pelos namorados que, desta forma, procuram selar o seu amor. Ao aproximar-me verifiquei que muitos tinham corações, ou as letras iniciais dos nomes dos casais que os prenderam a estas grades. A pessoa que me revelou esta prática, absolutamente inacreditável, contou-me, ainda, que todos os anos a Câmara Municipal retira todos os cadeados que ali vão sendo colocados ao longo dos meses, não por uma questão de limpeza, ordem, ou por querer romper os elos desta forma criados, mas porque estes implicam um peso extra para as próprias pontes.
Dei por mim a pensar neste gesto tão simples, tão mundano, que aprisiona o amor num pedaço de metal, que depois acaba por ser destruído por mãos alheias. Tenho a certeza que a simbologia não acaba com a quebra deste elo, mas não posso deixar de analisar a forma como as pessoas pensam que as coisas que cativam de forma objectiva e que podem traduzir num acto simbólico, por meio de recursos mundanos, revestem a forma do amor, que se prende no exterior.
Penso que o amor tem várias formas de se manifestar e que cada um o sente de forma diferente, mas o amor puro, verdadeiro e eterno é aquele que está cativo no coração e não num cadeado, é aquele que pula no peito, que arrebata emoções desenfreadas e que é livre para sentir, viver, amar.
O Amante, Marguerite Duras
O Amante é muito mais que um romance, é o relato vivo de uma experiência extenuante de amor. Um amor inocente, intenso, inflamável e flamejante. Um amor que nasce entre uma jovem adolescente, que desperta para os desejos da carne, que admira com avidez as modificações do seu corpo, assim como os corpos que a rodeiam, dos homens e das mulheres, e um jovem chinês. Este romance, tendo por cenário a Indochina, é marcado pelas diferenças entre os dois amantes. Desde logo a idade, ela adolescente, ele jovem adulto; as condições sócio-económicas, ela pobre, ele rico; e, quanto a mim, pela forma como encaram este sentimento, que os marca de forma tão distinta. Ele jamais a esquecerá, pois ela é uma explosão de luxúria para os seus sentidos. Ela vai-se entregando a este amante, conhecendo o gozo que ele lhe dá, cada vez que a "mata" de prazer. Mas ela está de partida, sempre soube que iria partir, mais cedo ou mais tarde, e que este amante era apenas o primeiro de muitos a quem havia de se entregar.
O mais admirável neste romance é o relato de uma história banal, carregada de emoções que nos penetram ao ponto de lhes sentirmos o cheiro, a textura, a ansiedade. Um amor retirado do baú de memórias de Marguerite Duras, que nos revela com precisão e envolvência a sua descoberta de amor na adolescência, essa fase da vida tão conturbada e arrebatadora.
A Lot Like Love
Será que o Amor é mesmo um acto irracional? Sempre ouvi dizer que, por Amor, cometem-se as maiores loucuras. Só quando amamos verdadeiramente nos reencontramos com aquilo que somos.
O Amor pode também ser uma desculpa para justificarmos a nossa falta de vontade em conduzir os nossos sentimentos e as nossas emoções por um padrão de regras que pré-definimos para as nossas vidas.
Na adolescência pensamos que a vida se resume a:
1) tirar um curso;
2) arranjar um emprego;
3) encontrar o homem/mulher ideal;
4) casar:
5) ter filhos.
Se a vida fosse assim tão simples as editoras, produtoras e todo o pessoal das artes iriam inevitavelmente à falência. Não seriam mais necessários tantos livros e tantos filmes com histórias magníficas sobre como encontrar e perder o Amor.
Esta força poderosa, que conduz o universo, não pode ser traduzida, é uma experiência individual, que temos a obrigação de partilhar com todos os seres com os quais co-existimos.
Eu acredito no destino, em almas gémeas, em desígnios maiores que nós mesmos. Tenho a profunda convicção que, quando abrimos o coração, o universo encarrega-se de nos encher de Amor. Por isso, o meu conselho para todos os que já objectivaram as suas vidas, de tal forma que se inibem de amar, é que pelo menos, por um dia, deixem a check list de lado, saiam para a rua, dancem à chuva, riam com vontade e dêm e recebam Amor, com a alegria de uma criança feliz, pela descoberta mágica que acaba de trazer para a sua vida.
E deixo-vos uma sugestão cinematográfica para reflectirem sobre tudo o que escrevi acima: A Lot Like Love.
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