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Menina Limpa, Menina Suja, Ana Vidigal
Ana Vidigal é um nome que representa uma geração de artistas vanguardistas, inovadores e, sobretudo, criativos. A criatividade está presente em todos os seus trabalhos, que apelam ao nosso subconsciente, onde guardamos uma amálgama de ideias, que muitas vezes tememos expor à luz do dia.
A inovação serve de pano de fundo. O emaranhado de objectos coleccionáveis compõem a textura e as pinceladas dão alma a cada trabalho realizado pelas mãos de Ana Vidigal.
Sendo ela uma feminista, o apelo e o culto pelo que é feminino está presente em toda a sua obra. A irreverência torna-se quase despudor. Aqui não há lugar ao sério e sóbrio mundo masculino.
No Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão (Fundação Calouste Gulbenkian), até dia 26 de Setembro de 2010, é possível viver (em detrimento de ver) três décadas de trabalho de Ana Vidigal.
Destaco três peças fundamentais: "Véu da Noiva", construído a partir do vestido de noiva da mãe de Ana Vidigal; "Penélope", uma colcha de cama decorada com as cartas trocadas entre os pais durante a guerra colonial; e "Void", uma recriação do quarto de infância da artista, estabelecendo um paralelo com o quarto do pai na Guiné.
Pablo Picasso
Quando se fala em grandes mestres das artes, pintura, escultura e arquitectura, penso logo nos catalães: Salvador Dalí, Joan Miró, Antoni Gaudí e, como não podia deixar de ser, Pablo Picasso. Não é à toa que, depois de Lisboa, a minha cidade de eleição é Barcelona.
Curiosamente, o Museu Picasso, em Barcelona, deixou-me verdadeiramente desapontada. Um edifício emblemático, salas espaçosas e bem iluminadas, mas uma colecção pobre, reduzida a umas quantas telas mais conhecidas do público e uns desenhos, que nada de novo acrescentam à genialidade da obra deste mestre entre os mestres. Bem sei que as colecções mais ricas se encontram espalhadas pelo mundo, em salas majestosas, em Madrid, Paris e Nova Iorque. No entanto, não deixo de sentir que esta é a cidade que o viu crescer para as artes, embora ele fosse um artista do mundo.
No Centro Cultural de Cascais, até dia 26 de Setembro de 2010, estão em exposição um conjunto de gravuras em linóleo de Pablo Picasso. Apesar de ser apenas uma sala com alguns quadros, estes são fabulosos e dá para regalar a vista com uma pequena, mas grandiosa mostra, da arte gráfica do mestre espanhol.
O jardim das maravilhas, Joan Miró
Até 26 de Setembro de 2010, no Centro Cultural Palácio do Egipto, em Oeiras, estará em exposição uma pequena, mas grandiosa parte, da obra de Joan Miró.
Pintor e escultor surrealista catalão, marcado por signos, símbolos, volumes e formas que dão vida à sua obra. As suas pinturas têm traços primários e infantis, o que evoca o mundo fantástico, onde só as crianças, livres dos condicionamentos impostos pela sociedade, têm acesso.
Na exposição "o jardim das maravilhas" podemos contemplar uma boa mostra do seu trabalho. Deparamo-nos com um verdadeiro universo mágico, com deformações fantásticas, que remetem às profundezas do ser do autor.
Joan Miró disse, a propósito do Surrealismo, que esta vertente lhe agradava, porque os surrealistas não consideram a pintura como um fim em si mesmo; que não importa a durabilidade de um quadro, mas sim se este plantou sementes que darão vida a outras coisas.
O espólio artístico de Joan Miró é um legado que permanecerá de geração em geração e que sempre há-de inspirar muitos de nós a encontrar o caminho da fantasia, guardado entre o real e o imaginário mundo, que criamos diariamente.
Já agora, e se forem até Barcelona, não deixem de visitar a Fundação Joan Miró. Além de ser um espaço muito bonito, é também um dos que abriga a maior parte da obra deste grande artista.
Júlio Pomar
Júlio Pomar nasceu a 10 de Janeiro de 1926. É pintor e escultor. Foi um dos principais impulsionadores do Neo-Realismo na pintura portuguesa.
Não obstante a vida longa, marcada por períodos de guerra, censura, opressão, entre outros meios de limite à liberdade da expressão criativa, o Mestre Júlio Pomar, destacou-se desde cedo pela irreverência, pelo intervencionismo na vida sócio-política, e pelas viagens que realizou por Espanha, Paris e Brasil.
Ontem, dia 8 de Fevereiro de 2010, foi distinguido com o prémio Vida e Obra, atribuído pela Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) e pela RTP, numa gala emitida pela estação pública, que premiou vários artistas nacionais.
Também ontem, tive a felicidade de jantar com este grande homem, numa Homenagem ao Profissional do Ano, atribuída pelo Rotary Club de Lisboa-Estrela. Recordo o seu olhar meigo, tranquilo, de pessoa serena na idade de ouro da sua vida. Um esgar sorridente, observando com ternura as expressões corporais dos que consigo partilhavam a refeição. Quando saudámos as bandeiras (ritual protocolar típico destas reuniões de Rotary) trocou comigo um olhar e disse-me que tinha uma cara bonita, fiquei a olhar para ele, sorrindo, e quando me perguntou se as pessoas diziam que tinha fama de não se rir, respondi peremptoriamente que não. O riso vem da alma e quem expressa a sua alma de forma tão graciosa é uma pessoa que sorri e muito.
Jamais irei esquecer a mensagem com que nos presenteou no seu breve discurso: "somos sempre aprendizes".
Estação Alto dos Moinhos, graffitis em azulejo, Júlio Pomar
Camões
Bocage
Fernando Pessoa
Almada Negreiros
Não é para Contar uma Estória que tu Escreves
Não é para contar uma estória que tu escreves
e eu pinto
e eu pinto
nem para nos apontarem a dedo que limamos
o bico aos pregos no avesso do mundo, nem a terra
é o centro deste. O universo não usa
adereços de cena
nem liga a espelhos. Tem mais que fazer
que nos copiar e tão-pouco ao fado pois ele é
velho, não tem dentes, e tresanda
ao ranço de uma açorda
salgada e sem coentros.
Júlio Pomar
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