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Primeiro dia de praia


O primeiro dia de praia do ano é sempre vivido com grande entusiasmo. Primeiro, é preciso encontrar o fato de banho, a toalha e o protector solar, entre outros, que hibernaram durante os meses de Inverno. Depois, surge toda aquela excitação típica dos dias quentes, em que vestimos roupas mais leves e sentimos a energia que o sol nos proporciona. Ao chegar à praia, sabe muito bem pôr os pés na areia. Enquanto nos despimos, surgem os inevitáveis comentários relativos à brancura da pele, que anseia por uma exposição solar. Claro que por muito protector que se ponha, no final do dia somos presenteados com umas quantas manchas vermelhas, nas zonas da pele que o sol apanhou com mais violência, e depois é preciso pôr muito creme e esperar que o vermelho se transforme num bonito bronzeado.

Férias de Verão


A época estival dura cerca de três meses, com início a 21 de Junho e término a 22 de Setembro. Enquanto fui estudante, passei a maior parte dos períodos anuais de Verão em férias. Eram três longos meses… Lembro-me de chegar a ter saudades dos dias frios e ansiar pela chegada do Outono e, com ele, as primeiras chuvas.
Sempre gostei da ideia de renovação e adorava o reinício das aulas. No final de Agosto corria até à livraria mais próxima para comprar os manuais escolares, que me iriam acompanhar no novo ano lectivo. Depois, seguia-se a, também entusiasmada, corrida até à papelaria, onde comprava novos cadernos, dossiers, canetas, lápis, afias, borrachas e marcadores, que preenchiam uma infindável lista de material escolar. Recordo a emoção com que manuseava todos estes objectos, perfeitamente intactos, sem história alguma que os marcasse, e eu ansiando por usá-los da melhor forma que pudesse inventar.
Quando iniciei a vida profissional, já lá vão mais de cinco anos, fiquei limitada a vinte e cinco dias de férias (já considerando os três de bónus, caso não incorra em ausências ao longo do ano). A sensação que me assola é que nunca vou conseguir ter tempo suficiente de descanso para armazenar a energia de que necessito, para realizar as tarefas intelectuais ao longo ano. O desgaste psicológico requere muita energia! E já não estou a considerar os outros períodos de interrupção lectiva como as férias do Natal, do Carnaval e da Páscoa, que na sua maioria serviam para estudar para os exames que se aproximavam. De qualquer forma, eram períodos que podíamos gerir à nossa maneira, sem a obrigatoriedade de deitar e erguer cedo, enfrentar filas intermináveis de trânsito e o quotidiano rotineiro de aulas e trabalhos de casa.
Agora, sou confrontada com a gestão minuciosa de escassos vinte e cinco dias para quebrar a rotina que a profissão exige! Nos primeiros quatro anos, e com a autonomia financeira que entretanto adquiri, dei por mim a querer aproveitar estes dias para sair dos limites terrestres portugueses e conhecer outras terras, povos e culturas. Fiz algumas viagens, que me proporcionaram a merecida evasão da rotina e me alimentaram a alma com a riqueza de experiências vividas. No entanto, não deixaram de ser férias cansativas, exigentes, onde palmilhei bastante, usei o relógio para controlar os minutos, que tinha de racionar, para ver e conhecer o máximo de coisas e lugares em cada novo espaço que visitei.
Este ano, e após sete dias na Ilha do Faial, nos Açores, onde consegui descansar a par de um intenso frenesim de actividade em actividade, resolvi passar quinze fantásticos dias de dolce far niente. Rumei, com a família, até ao Algarve, destino de férias de milhares de portugueses nesta altura do ano. Troquei os saltos altos pelos chinelos, os fatos pelos bikinis, calções e vestidos de algodão. Tudo em prol do máximo conforto! Deixei de usar o despertador para acordar… Quando tinha sono, dormia, e acordava quando o corpo começava a dar sinais de estar há demasiadas horas em descanso, quer fosse por sintomas como sede, fome, ou dores musculares. Carreguei a toalha de um lado para o outro, estendi-a, invariavelmente, na areia quente, onde me afundava para mais uma sesta, embalada pelo som cadente das ondas do mar. No saco levava apenas coisas úteis: uma almofada insuflável, os óculos de sol, protector solar, o ipod, um livro e a indispensável garrafa de água.
Como distracção, uns períodos de repouso numa esplanada a tomar café ou a deliciar-me com apetitosos gelados, umas excursões à feira do livro, onde adquiri mais uns quantos volumes que irão ocupar as pesadas e bem recheadas estantes do meu quarto e, ainda, uma ida ao cinema.
Em casa aproveitei para fazer uns cozinhados, experimentado umas novas e suculentas receitas, ver uns filmes que tinha em atraso e desfrutar o conforto proporcionado por uma fantástica cama de lona suspensa, vulgarmente conhecida por “rede”, onde me deitei a descansar o corpo e a cultivar a mente, munida de um interessante livro sobre viagens.
Amanhã regresso à grande metrópole. Não sinto saudades da agitação diária, da rotina de horários, da azáfama entre coisas combinadas com uns, actividades planeadas com outros, mais aquelas a que vou dedicando os meus tempos livres, que depois acabam por não existir. No entanto, depois de acumular uma elevada dose de energia, sinto-me bastante capacitada para enfrentar mais um mês e meio de Verão a trabalhar e a deixar-me invadir pela adrenalina da cidade. Estou plenamente tranquila e em paz comigo mesma, porque fortaleci, através destas férias de descanso, a minha força de vontade, auto-estima e capacidade de acção/re-acção. Tenho a certeza que, a partir de agora, vou valorizar, ainda mais, cada bocadinho de descanso e dedicação a mim mesma e ao meu bem estar e, por outro lado, vou sentir, de forma mais intensa, cada novo cheiro, textura e imagem, que a experiência de novas coisas ou lugares me possam proporcionar.