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Broken Flowers
Broken Flowers, de Jim Jarmusch, é um retrato visual das encruzilhadas da vida. Um filme inteligente e divertido.
Don (Bill Murray) vê-se obrigado a reviver o seu passado cor-de-rosa, o que lhe trás mais dúvidas que certezas.
A vida é um pouco assim, uma amálgama de episódios, mais ou menos perturbadores, onde nos cruzamos com múltiplas personagens. Não há que entender, julgar ou criticar. Apenas deixar fluir livremente e reflectir no que podemos mudar daqui para a frente. O passado é inalterado, mas o presente é um livro em branco que escrevemos todos os dias.
Mine Vaganti
Mine Vaganti é um filme de Ferzan Ozpetek, que relata a história de uma família italiana que se vê envolvida em confrontos que abalam a sua aparente coesão.
Um negócio de família, que passa de geração em geração, mas que parece não cativar os netos, que acabam por revelar os seus íntimos segredos, de forma abrupta, criando o caos no seio familiar. Por um lado, a homossexualidade, que é encarada como uma doença, como algo anti-natural. Por outro, a coragem para seguir um sonho, como o do jovem protagonista que resolve tirar um Curso de Literatura, em vez do Curso de Gestão, e ser escritor.
A avó observa os netos e relembra a sua incapacidade de lutar por aquilo que a teria feito feliz: o amor da sua vida. Os netos não têm medo de trazer à luz do dia o que guardam nas entranhas do seu ser: a sua essência.
Esta história é um exemplo de coragem em busca da felicidade. Não importa o sucesso dos nossos actos, mas fazermos o que queremos, vivendo a nossa vida e não a que os outros projectaram para nós.
Um filme repleto de humor e movimento, uma lufada de jovialidade e bem estar, que nos remete à complexidade do ser humano e à sua aceitação plena. Vergonha é deixarmos os outros viverem por nós e decidirem a nossa (in)felicidade!
A Serious Man
O último filme dos irmãos Coen, A Serious Man, faz uma profunda análise, levada até à exaustão, dos princípios que norteiam a vida de um homem sério.
Incide numa comunidade judia e traz para a frente da tela temas tão importantes como o sentido da vida e a orientação religiosa, colocando o protagonista principal num confronto com tudo o que choca com a sua determinação implacável de ser um homem sério.
A história desenlaça-se de forma astuta, surpreendente e com traços de uma hilariante comédia. As provações são contínuas e cada vez mais exasperadas, e o conforto da religião cria ainda mais dúvidas, ao invocar que existem mais perguntas que respostas e, se estas últimas existem, são certamente irrelevantes.
Coloca-se a pertinente questão do que é afinal isto de ser um homem sério. Numa sociedade em que o egoísmo marca os comportamentos da vida em comum, em que os líderes sabem tanto ou menos que os que subjugam, que o divino parece ditar o destino cruel com que o dia-à-dia presenteia cada um de nós, ser homem e ser sério é um desafio a que ousam corresponder apenas os mais ousados de entre os comuns mortais.
El secreto de sus ojos
Um filme de Juan José Campanella. El secreto de sus ojos é um relato policial com uma mescla de romance. Situa-se em duas épocas distintas: 1974 e 1999. A trama vai alternando entre estes dois períodos e a caracterização das personagens, entre eles, é perfeita.
A história é simples: uma violação, seguida de assassinato, de uma jovem, cujo autor terá sido um ex-colega de infância, num estado de puro gozo, fruto de uma mente demente. O marido da jovem encontra conforto na justiça para seguir a sua vida em frente. Quando a justiça se revela incapaz, a capacidade humana de reacção é posta à prova... Como se poderá viver uma vida inteira de nada?
Esta é a pergunta a que Benjamín (Ricardo Darín), um oficial de justiça aposentado, procura responder ao escrever um livro sobre esta história, a que ficou preso desde a sua ocorrência. Esta, que o obrigou a seguir um destino longe de Irene (Soledad Villamil), a mulher que amava.
O olhar é uma personificação presente em toda a acção. O humor também tem lugar, com as tiradas perfeitamente hilariantes de Sandoval (Guillermo Francella), colega de trabalho de Benjamín e seu grande amigo. Porém, a génese do filme está no comportamento humano, aquele que é capaz das mais variadas barbáries, assentes no seu sentido de ordem, muito mais vezes a do coração que a da razão.
Este é um exemplo, significativo, do que de melhor o cinema argentino tem para nos dar. Muito bem atribuído o Oscar de Best Foreign Language Film of the Year, 2010, dos Academy Awards, USA.
The Blind Side
Confesso que andava a ressacar uma ida ao cinema, para ver os filmes que estão na moda. Ainda consegui apanhar nas salas de cinema o filme The Blind Side. É um filme extremamente humano e comovente. Um alento para os que não acreditam que todos temos uma oportunidade de descobrir as nossas aptidões e transformá-las em talentos, que nos conduzam ao êxito. Um exemplo de coragem. Uma lição de amor, através dos laços que se criam numa verdadeira família, aquela que se protege mutuamente e se alimenta das pequenas conquistas do dia-à-dia. Cada um de nós tem de ultrapassar as suas próprias limitações no caminho para a felicidade. O segredo de uma conquista é transformar, de forma positiva, as coisas menos boas com que nos vamos deparando ao longo das nossas vidas. Acreditem sempre em vós e não no destino!
Whatever Works
Woody Allen é simplesmente genial. Costumo ver filmes pelo interesse que os argumentos me despertam, pelas interpretações de actores consagrados, mas raramente os vejo pelo seu realizador. Contudo, desde que conheci o realizador de Match Point, não mais consegui deixar de querer ver os filmes de Woody Allen. Não me importa quem sejam os actores, ou se o argumento me desperta ou não a curiosidade. Confio plenamente na realização deste génio, e tenho a profunda convicção que um filme realizado por ele é sinónimo de qualidade em todos os aspectos cinematográficos.
"Whatever Works" é uma lição de vida, ou várias. Este filme desafia-nos a ir mais longe no nosso quotidiano, onde um emaranhado de regras, pretensas moralidades e costumes obsoletos, são apenas refúgios onde amarguramos uma vida inteira com medo de arriscar. Onde receamos ser nós próprios e aventurarmo-nos a viver os nossos sonhos e desejos, que reprimimos perante os olhares críticos de uma sociedade, já ela, às avessas.
Tudo pode dar certo, basta que lutemos, todos os dias, por uma vida única e feliz, uma vida que nos permita expressar a nossa criatividade, sentimentos e emoções. Basta querer, agir e aceitar. A sociedade evolui a cada dia que passa e temos que abrir-lhe os braços e acolhe-la com ternura, para que ela possa manifestar o melhor de si, sem restringir a sua natureza humana, sem ocultar as suas complexidades, as suas irracionalidades, com medo que se riam dela.
Match Point
Eis um filme que não podia deixar de rever. Um drama romântico, repleto de emoções fortes, como a paixão, a tentação e a obcessão. Drama, pelo fim trágico, que nos envolve num sentimento de revolta contra a mentira e a injustiça. De facto, a vida é muitas vezes um jogo de sorte ou azar. Um emaranhado de acontecimentos que se encadeiam uns nos outros e nos levam a experimentar as mais diversas situações. Muitas vezes interrogo-me do que teria acontecido se... Mas logo deixo as dúvidas de lado, com a certeza de que o caminho que trilho foi aquele que escolhi e os meus passos são firmes e seguros.
A história que Woody Allen produz neste filme revela-nos a ambição como a maior armadilha de todos os tempos. A ela subjugam-se vontades, reprimem-se desejos e resigna-se uma vida inteira de frustração, mágoa e arrependimento, por tudo o que se deixou para trás nessa senda desenfreada de chegar ao topo. Por outro lado, este magnífico realizador mostra-nos como as trivialidades mais comuns das relações humanas acabam por ser sempre cumpridas, como um puzzle em que, por muitas peças que se misturem, havemos de chegar invariavelmente à mesma imagem, aquela que encaixa no padrão comum: luxúria, traição, cobardia, medo, entre muitos outros sinónimos daquilo em que se transformou a humanidade.
O destino ou a sorte ditam muitas vezes o que fazemos com as nossas vidas e, embora ainda tenha a certeza que comando a minha, sei que este é um jogo de interacção com os outros e, por muito que me dedique às coisas que quero, não posso lutar contra o que é. Por vezes depara-mo com situações estranhas, em que a vida me prega partidas e baralha as minhas convicções. Nessas alturas, sinto vontade de me deixar levar, mas viver ao sabor da corrente é perder a oportunidade de sermos nós próprios, de conquistarmos os nossos objectivos e realizar a missão que nos confiaram.
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