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A crise está em crise


Outro dia li num livro uma frase que me pareceu bastante familiar: "O mundo encontra-se numa fase de transição provocada por uma crise económica e de corrupção governamental, racismo, discriminação sexual e graves problemas ambientais."
Como sabia que tinha em mãos uma publicação antiga, fiquei intrigada e procurei saber o ano da sua edição. Quando me apercebi que o que acabara de ler fora escrito em 1995, fiquei absolutamente pasmada. Como é possível que ao fim de 15 anos esta frase seja tão actual, tão presente no dia-à-dia de cada um de nós! Será que em década e meia nada mudou?
Lá diz o Ricardo Araújo Pereira que "a crise está em crise", o que de facto é verdade, tendo em conta que estas histórias sobre a crise já não nos conseguem surpreender. A única coisa que aparenta ser nova é o oportunismo face a um, já gasto, cenário de crise. A desculpa para se adiarem decisões estruturais significativas, prejudicando os inocentes trabalhadores que vivem sob a vontade e os desígnios dos Senhores do Dinheiro.

Deslizamento de terras na CREL




Quem me conhece sabe que, apesar do espírito aventureiro e de estar sempre em movimento, sou apaixonada pelo meu país, pelas serras altas e verdejantes mais a norte, pelas praias do litoral e do sul, e pelas planícies alentejanas banhadas pelo sol. Gosto do clima, da meteorologia, das pessoas, dos lugares, gosto de Portugal.
No entanto, em alturas como esta http://www.publico.clix.pt/Local/brisa-admite-que-o-corte-de-troco-da-crel-vai-durar-semanas_1419747, dou por mim a pensar que país é este, onde as coisas acontecem por falta de responsabilidade e, na altura de apurar os factos, todos lavam as mãos. A culpa, que nunca morre solteira, anda sempre a ser chutada como uma bola de ping-pong.

Do artigo em anexo, publicado ontem no jornal "Público", pode ler-se uma sequência muito interessante: "a Brisa alertou a Estradas de Portugal", "A Estradas de Portugal esclareceu que foi alertada (...) para facilitar a relação com a autarquia da Amadora", "A Câmara da Amadora disse (...) que o deslizamento ocorreu em terrenos privados", "O Instituto de Infra-estruturas Rodoviárias (...) está a acompanhar a situação", "O vereador da Protecção Civil, Eduardo Rosa, nota que competia à entidade que explora a auto-estrada o dever da sua conservação".

Posto isto, e após ter passado na CREL no dia da ocorrência, acho que a culpa é da própria terra que resolveu manifestar o seu desagrado para com todas estas entidades que não cuidaram dela. As consequências são muito fáceis de apurar: meia hora de sono a menos e 0,80€ de poupança por dia!

Nas nuvens



Este filme deixa-nos a pensar na dura realidade em que vivemos actualmente. Num contexto de crise económica, social e de valores, que veio para ficar, há quem ganhe a vida a despedir os outros, mascarando a crueldade de tal facto com a promessa de uma vida melhor.

Quando entrei no mercado de trabalho, já lá vão quase cinco anos, disseram-me para não criar grandes expectativas, pois "já não existem empregos para a vida". Contudo, as exigências diárias das empresas obrigam-nos a uma dedicação extrema, a um compromisso. É precisamente este vínculo que deixou de existir e que faz com que a maioria das pessoas inicie o seu dia de forma cinzenta, sem energia vital, sem alegria. As intermináveis filas de trânsito, provocadas por acidentes e desordem, são prova disso mesmo. As pessoas sentem-se comprometidas com um futuro incerto. Vivemos no meio do caos e da confusão!

O brilhante George Clooney dá-nos um retrato muito fiel do que é a vida sem compromissos, sem raízes, sem estabilidade. Uma vida em que o próprio descreve que é a asa que sobrovoa os que estão em terra a realizar as suas vidinhas comuns. Mas será isto a ambição do ser humano, não ter nada a que se agarrar?

No que a mim se aplica, fiquei a meditar numa pergunta sobre a vida em comunidade: "Nos melhores momentos da minha vida estava só?" Claro que não! E aqueles que considerei bons momentos, e que não tive ninguém ao meu lado, são precisamente os que quero partilhar convosco.