Mostrar mensagens com a etiqueta educação. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta educação. Mostrar todas as mensagens
Go Get Some Rosemary
Filme vencedor do indie Lisboa’10: Go Get Some Rosemary. Realizado pelos irmãos Ben e Josh Safdie, que revivem memórias da sua infância.
A história centra-se na educação que Lenny, de 34 anos, dá aos seus filhos, duas crianças, de 7 e 9 anos, que estão à guarda do pai apenas duas semanas por ano. O "super pai" quer ser, também, o melhor amigo dos filhos, tornando aquelas escassas semanas em momentos inesquecíveis. Contudo, a vida despreocupada e pouco objectiva que leva impede-o de transmitir serenidade e estabilidade aos filhos. Ele ama-os e quer que eles o adorem, fazendo tudo para que isso aconteça. Mas o seu conceito de protecção está tão desajustado da realidade que chega a ser negligente, mesmo achando que está a fazer-lhes bem...
É uma visão realista e crua da sociedade em que vivemos. Os filhos não anulam a individualidade dos pais e os pais não são os melhores amigos dos filhos. Os filhos necessitam de exemplos, valores e regras. As regras são necessárias para balizar a vida comunitária, para que os excessos não limitem a liberdade de cada indivíduo e não criem mal estar no salutar relacionamento que devemos ter uns com uns outros. Hoje, mais do que nunca, é necessário cultivar conceitos que estão cada vez mais em desuso, como, responsabilidade, respeito, fraternidade e compreensão. No fundo, é a falta deles que leva à desordem e ao caos!
KYNODONTAS
O filme Kynodontas, de Yorgos Lanthimos, é um verdadeiro murro no estômago. Vencedor do Festival de Cannes em 2009, com o Prémio Un Certain Regard. Um poderoso e sádico relato do isolamento decretado pelos pais a três jovens irmãos. Fechados numa enorme casa, com piscina e jardim, aprendem a ler e escrever e a viver num mundo privado do contacto com outros seres humanos, com outros seres vivos e com a realidade de uma forma geral.
O autor da clausura é o pai, o único que tem contacto com o exterior. A mãe e os três filhos vivem neste cativeiro absurdo. Numa tentativa ridícula de lhes preservar a inocência, os pais ensinam aos filhos conceitos errados, como por exemplo, o mar ser, nesta realidade forjada, uma cadeira! A ideia é limitar o seu conhecimento ao que existe dentro dos limites que podem ver. Os filmes a que assistem na televisão são produto caseiro de imagens suas gravadas em diversas ocasiões. No gira discos ouvem a música Fly me to the Moon, de Frank Sinatra, como se este fosse o avô, que lhes tinha deixado uma mensagem, que o pai traduz de acordo com o que quer que os filhos entendam. O pai chega a parar o carro na berma da estrada, a caminho de casa, para retirar e deitar para um contentor do lixo os rótulos com a marca das garrafas de água que tinha comprado!
O surrealismo e a demência são tão gritantes, que há cenas em que uma de duas emoções nos aflora: rir perante tamanha ignorância ou chorar por monstruosa insensatez... A curiosidade própria da juventude acaba por ser a chama incendiária desta trama. Mesmo privados e desconhecedores do mundo, estes jovens são confrontados com o seu próprio desenvolvimento e acabam por deixar explodir reacções, adversas ao que seria um processo normal de crescimento e maturação.
Todo o filme gravita em torno de uma ideia de insanidade mental no seu estado bruto. O filme não é reflexivo, mas perante os factos e, sobretudo, os resultados, faz detonar um sentimento de revolta contra a imoralidade de prender a vida de um ser humano, privando-o do conhecimento. Não consigo deixar de pensar na chapada psicológica que senti ao assistir a esta história. O que será uma boa educação? Aquela que nos permite correr livremente sobre os campos, sabendo que iremos ser confrontados com perigos iminentes, mas por cada arranhão, por cada nódoa negra, ganhamos um pouco mais de identidade, aquela que nos permite ocupar o lugar que merecemos neste mundo.
An Education
Um filme surpreendente e revelador. Uma jovem educada por uma família humilde, de horizontes limitados, mas de ambições concretas e definidas: uma licenciatura como passaporte seguro e eficaz para ter uma profissão, ganhar dinheiro, mas sobretudo uma forma de reunir condições para atrair um marido, rico de preferência.
Os pais querem sempre o melhor para os seus filhos. Anseiam vê-los bem na vida, mas a troco de quê?
Esta jovem deixa-se seduzir e encantar por um homem mais velho, e, principalmente, pela vida que este lhe proporciona: cultura, viagens, sofisticação, glamour. Para uma jovem de dezasseis não há nada mais fascinante que a promessa de uma vida repleta de emoções.
Este filme ensina-nos uma lição grandiosa: há que viver os verdes anos com intensidade e precaução, a vida dá-nos sempre uma oportunidade para vermos o mundo e a sua grandiosidade. A educação é fundamental para a nossa sustentabilidade futura. A inteligência ajuda-nos a escolher em consciência e responsabilidade. A literacia, por sua vez, é uma ferramenta essencial para apreciarmos tudo o que nos rodeia com um olhar sereno e contemplativo, de quem saboreia o que de melhor a vida tem para nos oferecer.
Subscrever:
Mensagens (Atom)


