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Paris é uma festa, Ernest Hemingway
"Paris é uma festa" de Ernest Hemingway é um relato da vida dos artistas em Paris na segunda década do século XX, quando o autor viveu nesta cidade.
Hemingway dá-nos a conhecer uma cidade onde os sonhos se podem tornar realidade, desde que haja dinheiro e se conheçam pessoas influentes no meio em que se quer vingar.
Para os jovens artistas não é fácil fazer fortuna e vão tentando a sua sorte com pequenos passos na arte que dominam, seja ela a literatura ou a pintura, apenas para mencionar dois exemplos.
A vida social e a cultura são muito importantes e muitas vezes estão acima das dificuldades financeiras, pois é preferível deixar de comer ou comprar roupa para ter dinheiro para comprar livros e quadros. Contudo, ainda assim, quase ninguém abdica de sair de casa para passar a manhã ou a tarde inteira num café, ou almoçar ou jantar num dos muitos e variados restaurantes, pois estes são também locais privilegiados de encontro entre os artistas.
Cada artista tem o seu local predileto para a produção intelectual. O próprio Hemingway refugiava-se muitas vezes num café de Paris e, entre as folhas e uma bebida, deixava que a sua imaginação pintasse de negro as letras que enchiam a brancura do papel em que escrevia os seus contos.
Paris é culta, é bela, é um contraste entre riqueza e pobreza. Paris é uma reunião de talentos. Paris é uma festa.
Prender o amor num cadeado?
No último Outono estive naquela que é considerada a cidade mais romântica do mundo: Paris. Acho que os locais são tão ou mais românticos dependendo das emoções que neles vivemos. Lembro-me de ter visto, há uns anos atrás, uma peça de teatro inspirada no filme "Before Sunrise", em que a frase "Lisboa existe porque nós a inventamos quando pensamos um no outro" podia aplicar-se a qualquer lugar no mundo, que seja especial para duas pessoas que nele se encontraram, onde viveram momentos especiais, e que hoje os faz recordá-los. No entanto, concordo que há locais propícios ao romance e uma cidade cheia de luz, atravessada por um rio, onde se respira história, cultura e se pode saborear doçarias apetitosas, é um bom exemplo disso.
Foi também em Paris que descobri algo curioso sobre o amor. Ao atravessar uma das muitas pontes que ligam as duas margens do Sena, constatei, com um misto de surpresa e incompreensão, que os gradeamentos, que percorriam a ponte, estavam repletos de cadeados! Cadeados de todos os tamanhos e feitios. A primeira vez que os vi confesso que não lhes prestei grande atenção, pois estava certamente apressada para chegar a tempo de ver uma das muitas exposições com que me deliciei no decorrer desta viagem. Porém, numa segunda passagem, a curiosidade foi mais forte e acabei por questionar uma das pessoas que por ali deambulavam. Foi com uma certa estupefacção que obtive a revelação que os cadeados são ali colocados pelos namorados que, desta forma, procuram selar o seu amor. Ao aproximar-me verifiquei que muitos tinham corações, ou as letras iniciais dos nomes dos casais que os prenderam a estas grades. A pessoa que me revelou esta prática, absolutamente inacreditável, contou-me, ainda, que todos os anos a Câmara Municipal retira todos os cadeados que ali vão sendo colocados ao longo dos meses, não por uma questão de limpeza, ordem, ou por querer romper os elos desta forma criados, mas porque estes implicam um peso extra para as próprias pontes.
Dei por mim a pensar neste gesto tão simples, tão mundano, que aprisiona o amor num pedaço de metal, que depois acaba por ser destruído por mãos alheias. Tenho a certeza que a simbologia não acaba com a quebra deste elo, mas não posso deixar de analisar a forma como as pessoas pensam que as coisas que cativam de forma objectiva e que podem traduzir num acto simbólico, por meio de recursos mundanos, revestem a forma do amor, que se prende no exterior.
Penso que o amor tem várias formas de se manifestar e que cada um o sente de forma diferente, mas o amor puro, verdadeiro e eterno é aquele que está cativo no coração e não num cadeado, é aquele que pula no peito, que arrebata emoções desenfreadas e que é livre para sentir, viver, amar.
Paris
Há muito tempo que planeava conhecer a cidade luz. Sempre me foi revelada como um local mágico, onde o romantismo expele por cada imagem que a retina capta na magnificência com que se depara. As minhas expectativas elevaram-se à medida que a data da viagem se aproximava. Levei na bagagem roupa quente e confortável e o coração aberto para receber todas as emoções que Paris tinha para me oferecer.
Foi uma viagem magnífica em todos os aspectos. Começando pela própria cidade e pelos seus habitantes, fui agradavelmente surpreendida, nas mais variadas situações, por pessoas simpáticas e afectuosas.
Em termos culturais, regalei-me com as inúmeras exposições permanentes e temporárias, com as fachadas e os interiores de monumentos, igrejas e prédios e, ainda, das salas de espectáculos, que tive oportunidade de conhecer. Os espectáculos foram um dos momentos altos da minha viagem: um concerto de música barroca na Capela do Château de Versailles, uma ópera no Teatro deste mesmo Château, um ballet no Palais Garnier, uma ópera na Bastille, um espectáculo de variedades no Lido e um concerto do Max Emanuel Cencic no Théâtre des Champs-Élysées.
Para completar as delícias visuais e auditivas, pude degustar as mais requintadas mostras da doçaria e pastelaria francesas: macarons, mille feuille, tarte aux framboises, croissants, crêpes, gaufres, crème brûlée e tarte tatin; bem como pratos típicos e deliciosos, donde destaco o confit de canard. Claro está que visitei algumas das pastelarias mais conceituadas como La Durée, Pain de Sucre e Pierre Hermé; e restaurantes como Au Petit Fer à Cheval, Le Procope, La Coupole, Le Scheffer e La Taverne de Maître Kanter (Versailles), entre outros.
De Paris fui a Versailles, como já referi, mas também fui a Giverny, na Normandia, onde visitei a Casa e os Jardins de Monet. Fiquei absolutamente deslumbrada com a contemplação deste lugar. Os tons outonais conferem-lhe um encanto sublime, modesto, mas pleno em beleza. Tirei inúmeras fotografias, com a ideia de mais tarde as transformar em telas, onde libertarei a minha criatividade.
Foram dez dias de puro deleite. Aproveitei o tempo da melhor forma possível, não me permitindo muitas paragens, pois tinha em mente absorver o máximo que esta cidade tinha para me dar. Ainda assim, repousei em alguns encantadores jardins como o da Place des Vosges, o Jardin du Luxembourg e o Jardin des Tuileries. Neles descansei as pernas fatigadas e organizei as ideias soltas na minha mente, repleta de novos conceitos e imagens.
Tenho uma mão cheia de pequenas e interessantes histórias para partilhar oportunamente. Para já, quis apenas deixar como testemunho as impressões gerais que a viagem me proporcionou.
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