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The Cove – A Baía da Vergonha


Um grito de revolta cresce nas minhas entranhas, vai ganhando ritmo e tamanho. Tento contê-lo, abafando a dor que me causa, numa explosão de sentimentos que guardo para mim, tentando não contagiar os que me são próximos com esta raiva que teima em não me abandonar.

The Cove é um documentário de Louie Psihoyos, sobre a chacina de golfinhos que os pescadores de Taiji, no Japão, praticam numa baía isolada, com o consentimento e protecção das autoridades locais.

Este documentário tem ainda a participação de Richard O'Barry, que ficou popular pelo treino de golfinhos na série televisiva Flipper. Richard O’Barry foi o primeiro a aperceber-se que prender os golfinhos numa redoma de cimento é uma crueldade, que pode conduzir à morte. Os golfinhos são criaturas sensíveis ao som. Os sorrisos meigos que lhes conhecemos, enquanto saltam, são máscaras do que verdadeiramente sentem quando estão rodeados de crianças e adultos que pulam, gritam e batem palmas, perante as suas exibições acrobáticas em parques aquáticos.

Mais grave que privar os golfinhos da sua liberdade, exibindo-os em verdadeiras “arenas de circo”, é a caça bárbara que se pratica para a comercialização ilegal, ou a chacina para venda da carne em mercados. Esta prática é ainda um risco para a saúde pública, pois a carne dos golfinhos é altamente tóxica, pelos elevados níveis de mercúrio que contém.

Richard O'Barry e Louie Psihoyos juntam-se a um grupo de activistas da Oceanic Preservation Society para mostrar ao mundo esta história terrível.

Não podemos ficar indiferentes perante esta monstruosidade, visitem o site http://www.takepart.com/thecove e apoiem esta causa.

Precious


Não há palavras para descrever as horríveis sensações que um filme como Precious nos transmite. A revolta gritante que nos toma de assalto perante um caso, infelizmente tão comum, sobre a falta de humanidade em actos, brutalmente selvagens, como os de abuso sexual entre familiares.

Andamos uma vida interia a tentar convencer-nos que somos pessoas dignas de amor, que merecemos o melhor, que somos seres sensíveis, bondosos e inteligentes. É insuportável pensar que existem pessoas que, num acto de irracionalidade, deitam por terra todas estas características inerentes a qualquer ser humano, levando-o a encarar a sua vida como inútil, desprezível e miserável.

Ser mãe/pai é uma benção, uma oportunidade de manifestarmos amor na sua plenitude. Não consigo conceber a insanidade que uma mãe ou um pai possam ter para cometer tais actos. Como pode um ser inocente, inofensivo, ser sujeito a tais barbaridades? Como podemos encher o mundo de amor, se guardamos ódio nos nossos corações, indignados perante este absurdo?

Depois de reflectir, não posso deixar de agradecer por tudo o que tenho na minha vida. Amanhã, quando acordar, apesar do frio, do sono e das intermináveis filas de trânsito, vou sorrir e pensar que, pelo menos eu, posso enviar uma centelha de amor para o mundo e, quem sabe, acalmar os corações daqueles que sofrem pela carência deste sentimento.

O laço branco



Já muita tinta correu sobre o Nazismo. Por mais que nos brindem com efeitos especiais e imagens inéditas a surpresa deu lugar à resignação. No entanto, muitos de nós ainda se interrogam "warum?". Depois de ver O laço branco deixamos de questionar esta geração hostil, austera, rude a até cruel. Um conjunto de seres a quem temos alguma resistência em chamar humanos, pois praticaram crimes contra a própria humanidade. De facto, esta geração nasce no seio do pior que se vive entre os homens: o uso e abuso da autoridade, as acções em nome do poder e da pretensa moral, que se revela falaciosa e inapropriada, quando os que a advogam são os primeiros a deitá-la por terra, com práticas repugnantes e condenáveis. Um ambiente escuro, frio, sem energia, que nos gela o coração perante o horror latente. Quando esta geração chegou ao poder revelou toda a mágoa que tinha dentro de si, toda a raiva contida, contra pobres inocentes, como eles haviam sido.

Muitos de nós continuam a usar laços brancos, que nos recordam que somos impuros, que nos humilham e subjugam. Esta revolta queima-nos o peito e faz-nos corar de ira contra os sucessivos actos de violação, pedofilia, crime organizado, probreza, entre tantos outros. Se o ser humano é tudo isto, como podemos continuar a aspirar o amor ao próximo e outras coisas semelhantes? Como podemos continuar na redoma de vidro em que nos puseram e assistir ao desmoronar dos nossos sonhos de braços cruzados, impávidos e serenos? De que servem as lutas partidárias sobre mais tostão, menos tostão, quando o mundo em que vivemos está de pernas para o ar e a réstia de esperança está quase perdida?

Por tudo isto, eu continuo a interrogar-me "warum?"!