Sigur Rós é uma banda islandesa cuja música está inserida num estilo de rock alternativo. Assistir a um concerto de Sigur Rós ao vivo é uma experiência única, que se traduz em emoções e vibrações nunca antes sentidas. A singularidade de cada música envolve-nos de forma etérea, sublime, como se fossemos transportados por uma condensação mágica que nos envolve numa espiral de leveza e plenitude. Sigur Rós significa "rosa da vitória", e é um nome que se aplica à grandiosidade de cada composição a que a banda dá vida.
O concerto a que assisti decorreu em Lisboa no passado dia 14 de Fevereiro.
O concerto dos The Walkmen decorreu em Lisboa há quase um mês e, porque foi um grande concerto, não posso deixar de lhe fazer referência. Inicialmente previsto para decorrer no Coliseu dos Recreios, encheu a sala TMN Ao Vivo, um espaço mais intimista, onde um público entusiasmado balançou o corpo ao ritmo desta banda de indie rock dos EUA. A banda tem estado a apresentar o novo álbum "Heaven" e o concerto oscilou entre músicas deste e do álbum anterior "Lisbon".
Pela segunda vez em Portugal Bon Iver arrebatou um público rendido que encheu o Campo Pequeno em Lisboa no passado dia 26 de Outubro. Pessoalmente, gosto muito de ouvir as músicas no iPod mas o espectáculo ao vivo é uma experiência maravilhosa que recomendo vivamente.
Há alturas do ano em que tudo de bom acontece, principalmente quando estamos perante mais uma edição do festival Dias da Música em Belém. Música para todos os ouvidos e a preços imbatíveis, numa altura em que toda a gente se queixa que não tem dinheiro para lazer... No entanto, digo-vos: música não é lazer, mas sim uma necessidade primária da nossa alma, não concebo uma vida sem música!
Este ano assisti a mais dois fabulosos concertos:
- Le Tarantelle del Rimorso, canções tradicionais do sul de Itália, com Pino de Vittorio e Marcello Vitale
- Canções de Tchaikovsky e Mussorgsky com Christianne Stotijn e Maciej Pikulski
Se algum dia tiverem oportunidade, não deixem de os ouvir!
Decorreu no passado dia 4 de fevereiro o concerto de dEUS na Aula Magna, em Lisboa, e foi uma maravilha!
Setlist
The Final Blast
The Architect
Constant Now
Oh Your God
Easy
Instant Street
If You Don't Get What You Want
Dark Sets In
Nothing Really Ends
Ghost
Keep You Close
Sister Dew
Theme From Turnpike
Little Arithmetics
Bad Timing
Encore:
The End Of Romance
Sun Ra
Fell Off the Floor, Man
Suds & Soda
No dia 6 de Julho subiram ao palco principal do Optimus Alive os Coldplay, uma banda inglesa, de rock alternativo, que surge na segunda metade da década de 90. Com 4 álbuns gravados: Parachutes (2000), A Rush of Blood to the Head (2002), X&Y (2005) e Viva la Vida or Death and All His Friends (2008); apresentaram-nos uma setlist variada.
Setlist
Hurts Like Heaven
Yellow
In My Place
Major Minus
Lost!
The Scientist
Shiver
Violet Hill
God Put A Smile Upon Your Face
Everything's Not Lost
Us Against the World
Politik
Viva La Vida
Charlie Brown
Life Is For Living
Encore:
Clocks
Fix You
Every Teardrop is a Waterfall
O concerto foi bastante bom mas, ainda assim, abaixo das minhas expectativas. O vocalista Chris Martin foi um animal de palco, interpretando cada música com garra, embora tenha optado por algumas variações menos felizes. Faltou uma maior interacção com o público. Em alguns momentos, parecia que o concerto estava a ser "despachado" a um ritmo música por minuto por tempo máximo de actuação. A indústria musical está a apostar cada vez mais num espectáculo visual, quando o que os fãs querem é boa música, com boas condições acústicas e logísticas. Deixo nota máxima para o baterista Will Champion, que fez pulsar os ouvintes e abrilhantou a prestação da banda.
Mais uma edição dos Dias da Música em Belém passou e que maravilha! Foram sessenta e cinco concertos, a preços reduzidos, de boa música, de grandes compositores, e com interpretações magníficas.
Tive oportunidade de assistir a dois concertos arrebatadores: Orquestra de Câmara Portuguesa, dirigida pelo maestro Pedro Carneiro e com a participação do pianista Filipe Pinto-Ribeiro e do trompetista Óscar Carmo; a dupla Mário Laginha e Bernardo Sassetti. Este último foi completamente inebriante. Os pianistas tocaram temas de Duke Ellington, George Gershwin e Johnny Green. A sintonia entre ambos foi perfeita e cativou o público de forma eloquente, arrancando de forma espontânea palmas, ritmos e sorrisos de absoluto contentamento, pelo espectáculo divinal com que nos brindaram.
Viver os Dias da Música em Belém é algo a não perder para todos os amantes de música.
No passado dia 18 de Dezembro os MGMT deram um concerto fenomenal no Campo Pequeno, em Lisboa. A banda norte-americana brindou-nos com um espectáculo de luz e cor, reflectidas na melodia e na voz, com que envolveu todos os que tiveram oportunidade de estar presentes.
Deixo aqui a setlist para abrir o apetite:
The Youth
Time to Pretend
Song for Dan Treacy
Weekend Wars
I Find a Whistle
Flash Delirium
Of Moons, Birds & Monsters
Electric Feel
It's Working
Destrokk
Siberian Breaks
Kids
Brian Eno
A 11 de Março decorreu mais um Poesia em Vinyl. Desta vez, as letras do poeta Jorge Melícias cruzaram-se com a voz da cantora e compositora Joana Rios.
A poesia de Jorge Melícias é complexa, violenta, repleta de sentimentos fortes, que se tornam difíceis de interpretar. É uma associação entre beleza e violência, que ganhou alguma suavidade pela voz doce da Inês Meneses.
Ergo-me da refrega
e tomo posse sobre o excídio.
Eu vi a minha mão em tudo o que
se demaraca da piedade. E comovi-me.
Jorge Melícias, inédito
É poderosa a casa
curvada sobre a minha morte.
Atravessa o sangue,
transborda para dentro.
À porta dos dedos os insectos tecem-se,
iluminam os pulsos
nas noites em que o grito é íngreme.
Há uma luz doente sobre a mesa,
um pulmão de pedra no centro.
E eu mordo a própria boca,
enquanto as mulheres enlouquecem de pé,
cuspindo os espelhos.
Jorge Melícias, in disrupção
A voz de Joana Rios é forte, límpida e preenche-nos os sentidos numa amálgama de sensações, que despertam corações adormecidos, enchendo-os de amor.
O Poesia em Vinyl é um projecto que conjuga artes como a poesia e a música num ambiente intimista, proporcionado pelo Restaurante Vinyl. A organização está a cargo da Raquel Marinho e do Luís Filipe Cristóvão e conta com o apoio da Rádio Radar. O evento tem lugar todos os meses durante um ano. A primeira sessão decorreu em Janeiro de 2010 e a última está prevista para Fevereiro de 2011, com interrupção nos meses de Julho e Agosto para férias.
Ontem estive pela primeira vez no Vinyl. O poeta convidado foi o Pedro Mexia, para ler alguns dos seus poemas esteve presente o Carlos Vaz Marques, e quem nos deu música foi o Samuel Úria.
Foi um serão muito bem passado, onde as palavras teceram uma conversa rica em temas e curiosidades.
Pedro Mexia encantou-nos com a sua análise sobre poesia, teatro e a vida de uma forma geral. Enumerou três temas centrais na sua poesia: a cidade, a memória e o amor. Escolhas intuitivas, na minha modesta opinião.
Soltei uma sonora gargalhada quando o ouvi comentar que “a nossa vida são divórcios e reuniões de condónimos”. A minha mente encheu-se de uma série de memórias visuais sobre estes dois badalados assuntos.
Surpreendeu-me quando afirmou não ser fã de escrita criativa. A escrita é criativa. Escrever é criar. Eu sou fã de escrita criativa. Fiz dois cursos e espero fazer mais.
Curiosamente, de tudo o que foi dito, o que mais me tocou foi uma frase simples, mas carregada de uma verdade dolorosa: “a cultura não nos torna mais humanos”. Pedro Mexia disse-a referindo-se aos alemães, que com músicos como Bach e filósofos como Kant, ainda assim, “meteram as pessoas no forno”. Esta observação fê-la para justificar, em parte, o seu pessimismo perante a vida. Concordo com ele, não tanto na parte do pessimismo, pois sou uma optimista assumida, mas mais pelo conformismo perante a crueldade humana. Não há livro, música ou filosofia que tornem o homem melhor a menos que ele queira sê-lo. A natureza bondosa das pessoas não é abalada por condicionantes externas que lhe sejam nefastas. Essas condicionantes são apenas uma desculpa para a desumanização.
Os Significados
Não sei como tudo começou: suponho
que havia uma figura que depois
se estilhaçou para formar um puzzle.
Mas se juntarem todas as peças
talvez não haja nenhuma figura, e então
de que origem intacta partiu tudo
o que depois se quebrou? É impossível
fazer estilhaços de estilhaços sem uma
coerência primeira, agora ausente.
Quando todas as peças se juntam
estaremos reduzidos ainda a uma peça
de uma figura maior, ou essa figura
é uma utopia pragmática, instrumental,
que permite algum sentido ?
Ó significados, para vós, na infância,
tinha um caderno.
Pedro Mexia, in "Duplo Império"
Depois das palavras faladas, vieram as cantadas pela voz harmoniosa de Samuel Úria. Da sua guitarra sairam notas graves e agudas, mais e menos ritmadas, mas todas elas envolventes.