Encíclica de Bento XVI “Caritas in Veritate”


Bento XVI escreveu em Junho de 2009 esta encíclica sobre o desenvolvimento humano integral na caridade e na verdade.
Caritas é amor, “uma força extraordinária, que impele as pessoas a comprometerem-se, com coragem e generosidade, no campo da justiça e da paz”.

É, assim, que ele nos propõe o testemunho da verdade nas nossas vidas “com humildade e convicção”, pois somente esta atitude enaltece a caridade.

A responsabilidade social exige verdade, para não cair nas garras “de interesses privados e lógicas de poder”. Se queremos justiça e caridade devemos querer e trabalhar pelo bem comum, dando resposta às reais necessidades de cada ser humano.

Cada um de nós deve ser “livre e responsável” na sua vocação.

Paulo VI tinha, anteriormente, abordado a questão do desenvolvimento, que deve “fazer sair os povos da fome, da miséria, das doenças endémicas e do analfabetismo”. O desenvolvimento deve ser encarado em três dimensões: económica, social e política. Na esfera económica, todos os povos devem participar activamente e “em condições de igualdade no processo económico internacional”; na esfera social, devem ser capazes de evoluir “para sociedades instruídas e solidárias”; na esfera política, “a consolidação de regimes democráticos capazes de assegurar a liberdade e a paz”.

É neste contexto que, perante um cenário de crise, importa agora redireccionar o nosso caminho, impondo “regras novas” e “novas formas de empenhamento”, apostando em “experiências positivas” e rejeitando as negativas.

Actualmente, estamos perante um fenómeno de “mobilidade laboral, associada à generalizada desregulamentação”, o que cria “instabilidade psicológica, com dificuldade em constuir percursos coerentes na própria vida, incluindo o percurso rumo ao matrimónio”.

É, então, necessário recordar que o maior capital é o homem, que deve ser preservado e valorizado na sua integridade. “O homem é o protagonista, o centro e o fim de toda a actividade económico-social”.

No seguimento desta consideração, torna-se necessário reflectir sobre os direitos universais do homem, que devem contemplar “a alimentação e o acesso à água” potável, “sem distinções nem discriminações”.

O desenvolvimento dever gerar riqueza e coesão social. A insegurança gera improdutividade e “desperdício de recursos humanos”, através da automatização do trabalho, que substitui a criatividade.

À economia compete a produção da riqueza e à política a sua equitativa e justa redistribuição. Em todos os ciclos da actividade económica deve imperar a ética e a moral.

Há um fenómeno em ascenção no mercado empresarial, que desloca trabalho e conhecimento técnico para locais onde os factores de produção são mais baratos. O investimento e a formação, que estão relacionados com este fluxo, devem constituir uma contribuição robusta para a instituição de um sistema produtivo e social nas regiões de implementação, pois isso conduz a um desenvolvimento estável. Contudo, as práticas de exploração e especulação financeira agravam as debilidades económicas dessas mesmas regiões, impedindo a sua sustentabilidade futura.

Na cooperação internacional deve ser respeitado o princípio da ética, através de uma maior transparência nos recursos, acções e resultados.

A evolução técnica da sociedade deve conduzi-la a uma maior consciencialização ecológica, diminuindo o consumo energético e utilizando os recursos naturais de forma eficiente e responsável.

Na assimetria entre regiões deve prevalecer o princípio da subsidariedade. As ajudas ao desenvolvimento dos países mais carenciados devem apostar no desenvolvimento humano, que é o recurso mais valioso de qualquer economia.

A solidariedade internacional deve, assim, promover um “maior acesso à educação”, não apenas a escolar e a formação profissional, mas também a “formação completa da pessoa”.

Os meios técnicos não devem ser orientados apenas para a obtenção do lucro, do poder ou dos resultados, importa criar condições de sustentabilidade futura. Também os meios de comunicação social devem obedecer a princípios orientados para a “promoção da dignidade das pessoas e dos povos, animados expressamente pela caridade e colocados aos serviço da verdade, do bem e da fraternidade natural e sobrenatural”.

As pessoas são alma e corpo, logo devem orientar o seu desenvolvimento intelectual e social a par do espiritual. Tudo o resto provoca “alienação social e psicológica”.

A vida espiritual é a chave para a descoberta interior. Quando caminhamos por meio da fé, somos conduzidos com confiança, no apelo à fraternidade, com atitudes de entrega e misericórdia, assentes em amor e perdão. É através da renúncia e do acolhimento que conseguimos alcançar a justiça e a paz por que tanto ansiamos.

1 comentário:

Ricardo Madeira disse...

Sem dúvida muito interessante!

É bom reflectir sobre este tipo de questões e relembrar principios com os quais a maioria concorda mas por vezes esquece ou negligencia...

Bem trabalhado este resumo! Parabéns =)