Histórias de Deus, Rainer Maria Rilke


Afinal Deus está ou não está presente em todas as histórias?

Esta é a pergunta que as crianças, na sua simplicidade, ingenuidade e pureza, colocam ao ouvir as histórias que os adultos lhes contam. "Imagino que nunca se pode dizer que Deus não entra numa história sem primeiro a terminar por completo. Mesmo que só faltem duas palavras... na verdade, mesmo que estejamos a fazer uma pausa depois da última palavra, Ele ainda pode aparecer." (pág. 47-48, Histórias de Deus, Rainer Maria Rilke, Coisas de Ler, 2003)

As crianças têm o coração aberto e, dessa forma, estão mais próximas do divino. Elas vêem a magia por detrás de cada texto, frase ou palavra. Olham o céu e constroem as mais variadas formas com as nuvens que o povoam.

Deus é tudo. Tudo é Deus. Deus pode até ser um dedal, desde que esse objecto simbolize a sua presença entre nós. Deus é o sorriso no rosto de um desconhecido com que nos cruzámos num outro dia. Deus é o quadro de uma exposição onde repousa uma jovem de cabelos negros. Deus é a folha da árvore que cai com as primeiras chuvas do Outono. Deus é a palavra que não consigo pronunciar com medo que Ele se afaste de mim. Porque Ele não reside apenas no bem, ou no mal, Ele não está nas coisas que nos deixam radiantes, ou nas que nos amargam com tristeza. Ele é tudo o que é.

Muitas vezes não nos sentimos dignos de O receber em nós. Repudiamo-Lo com a nossa indiferença. Mas há um momento em que tomamos consciência da Sua verdadeira presença entre nós e aí sentimo-nos agradecidos por tudo e vemo-Lo em toda a parte.

Rainer Maria Rilke era um homem de fé e o seu livro Histórias de Deus é uma preciosa reflexão sobre Deus vivo no meio de nós. Através dos gestos mais simples e dos pensamentos mais mundanos, Rilke mostra-nos o Deus verdadeiro, O que nos acompanha no dia-à-dia.

Sem comentários: