As Três Vidas, João Tordo
Com o romance As Três Vidas, João Tordo alcançou o Prémio Literário José Saramago 2009. Há quem diga que o Prémio foi valorizado com esta obra. Estou plenamente de acordo.
A história remete-nos para uma personagem que está logo à partida em conflito com a vida, que é uma corda bamba por onde os dias passam, num limbo intermitente entre o bem e o mal.
O enredo é magnífico. Os factos estão envoltos em emoções, que levam a acções, que provocam mudanças significativas no protagonista.
Durante o tempo em que estive a ler o livro, embrenhei-me de tal forma na narrativa, que dei por mim a sofrer o pesado fardo e as constantes provações que o protagonista foi enfrentando. Senti uma tal ligação a esta personagem, que temi pelo sucesso das suas investidas e queria a todo o custo apoiá-lo nas horas de maior angústia.
Sublinhei, para mais tarde recordar, passagens absolutamente profundas, que produzem uma mensagem da condição humana e da superação de obstáculos. Todo o livro é assim uma metáfora à vida.
Destaco os momentos em que senti, com maior intensidade, a ligação que me prendeu às "três vidas" da personagem:
"a nossa inaptidão para continuar a viver a vida de todos os dias depois de certas coisas acontecerem."
"A modificação das nossas crenças não é progressiva nem pode ser ensinada, apenas induzida: acontece num momento de clarividência e implica uma passagem por um instante durante o qual aceitamos a monstruosidade do nosso ser."
"certas coisas insistem em escapar à nossa compreensão e pertencem a uma região nebulosa a que chamamos destino, que tão frequentemente usamos para fazer sentido das nossas vidas."
Parabéns João!
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