indie Lisboa'12
Em época festiva, eis que surge mais uma edição do indie Lisboa - Festival Internacional de Cinema Independente -, que já vai na 9ª edição.
Um programa fabuloso, distribuído ao longo de onze dias em três espaços distintos: Culturgest, Cinema São Jorge e Cinema Londres.
Infelizmente, só consegui assistir a quatro filmes, mas um dos que vi foi o vencedor do Grande Prémio de Longa Metragem "Cidade de Lisboa": De Jueves a Domingo de Dominga Sotomayor. A exibição deste filme, o primeiro da realizadora, contou com a presença desta, que fez uma breve introdução e conclusão e ainda respondeu a perguntas do público. O filme retrata as viagens da nossa infância... Crianças fechadas num carro durante horas a fio, percorrendo quilómetros de estrada, com as inquietações naturais desta idade e a observação sempre atenta aos olhares e gestos dos adultos. Uma delícia de filme!
Vi ainda o 17 filles, o The Loneliest Planet e o Alpis.
O 17 filles de Delphine e Muriel Coulin aborda uma situação verídica que ocorreu no Massachusetts em 2008, quando um grupo de adolescentes resolveu engravidar ao mesmo tempo. A história do filme mostra-nos uma adolescência perturbada e incontrolável e alerta para o acto de irresponsabilidade que está associado a este "pacto de gravidez", assim como a incapacidade dos adultos em lidar com esta inesperada situação.
O The Loneliest Planet de Julia Loktev é um filme surpreendente, que nos remete para as bonitas paisagens das montanhas do Cáucaso, na Geórgia, onde um jovem casal, alguns meses antes do casamento, resolve passar umas férias. A paixão que os envolve é notória desde o primeiro instante, mas há um momento no filme, um momento singular, que muda todo o rumo da história e coloca em causa tudo o que até então unia este casal. Neste enredo, a importância de certos gestos, aliada aos impulsos inerentes a qualquer ser humano, revela a complexidade e fragilidade das relações humanas e deixa-nos a pensar...
O Alpis de Yorgos Lonthimos foi para mim uma grande desilusão. Tinha muitas expectativas em relação a este filme pelo realizador, que admiro desde que vi o Canino, filme de sua autoria. Contudo, o Alpis deixa muito a desejar. O tema que lhe está associado é a morte e a dor dos que ficam a chorar as pessoas queridas que partem, e que por vezes encontram consolo ao fingir que ainda estão com elas e que as rotinas não foram quebradas. Porém, tudo isto é ilusório e, mais cedo ou mais tarde, têm de superar a perda e seguir com as suas vidas. O interesse da história perde-se na falta de um fio condutor que nos faça sentir a trama. As ideias estão demasiado soltas e fica muito por explorar...
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