As minhas idas à Cinemateca acabam de me dar a ideia de iniciar mais uma rubrica: Clássicos do cinema. O objectivo é apresentar filmes que marcaram a história do cinema e que recomendo a todos os amantes desta arte.
Ladri di Biciclette (1948) de Vittorio de Sica.
Este filme retrata uma época de crise económica nos anos do pós-guerra em Itália, marcada sobretudo pelo elevado desemprego e pela pobreza. As pessoas eram obrigadas a viver abaixo do limiar da dignidade, pois não havia meio de superar as dificuldades com que se deparavam. Até as crianças tinham de trabalhar para sustentar a família.
No meio de todo este drama surge a relação entre um pai e um filho, uma relação de afecto, de cumplicidade e confiança, que nem a miséria pode destruir. A bicicleta é uma forma de alimentar o sonho do pai de ter uma vida melhor. O sonho simples de um homem com aspirações humildes, que quase envergonha a leviandade com que hoje falamos em dificuldades de subsistência. Porém, a maior provação na vida deste homem não é o dinheiro que pode ganhar, mas o companheirismo do filho que o admira e respeita.
É um filme belíssimo, que nos remete para a inocência da condição humana, que se debate eternamente entre a humilhação de nada ter à soberba de tudo poder, uma condição que oscila entre o que é certo e o que é errado, mas que tudo desculpa, tudo espera e tudo suporta aos olhos do amor.

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