Nas nuvens



Este filme deixa-nos a pensar na dura realidade em que vivemos actualmente. Num contexto de crise económica, social e de valores, que veio para ficar, há quem ganhe a vida a despedir os outros, mascarando a crueldade de tal facto com a promessa de uma vida melhor.

Quando entrei no mercado de trabalho, já lá vão quase cinco anos, disseram-me para não criar grandes expectativas, pois "já não existem empregos para a vida". Contudo, as exigências diárias das empresas obrigam-nos a uma dedicação extrema, a um compromisso. É precisamente este vínculo que deixou de existir e que faz com que a maioria das pessoas inicie o seu dia de forma cinzenta, sem energia vital, sem alegria. As intermináveis filas de trânsito, provocadas por acidentes e desordem, são prova disso mesmo. As pessoas sentem-se comprometidas com um futuro incerto. Vivemos no meio do caos e da confusão!

O brilhante George Clooney dá-nos um retrato muito fiel do que é a vida sem compromissos, sem raízes, sem estabilidade. Uma vida em que o próprio descreve que é a asa que sobrovoa os que estão em terra a realizar as suas vidinhas comuns. Mas será isto a ambição do ser humano, não ter nada a que se agarrar?

No que a mim se aplica, fiquei a meditar numa pergunta sobre a vida em comunidade: "Nos melhores momentos da minha vida estava só?" Claro que não! E aqueles que considerei bons momentos, e que não tive ninguém ao meu lado, são precisamente os que quero partilhar convosco.

Sem comentários: