Match Point


Eis um filme que não podia deixar de rever. Um drama romântico, repleto de emoções fortes, como a paixão, a tentação e a obcessão. Drama, pelo fim trágico, que nos envolve num sentimento de revolta contra a mentira e a injustiça. De facto, a vida é muitas vezes um jogo de sorte ou azar. Um emaranhado de acontecimentos que se encadeiam uns nos outros e nos levam a experimentar as mais diversas situações. Muitas vezes interrogo-me do que teria acontecido se... Mas logo deixo as dúvidas de lado, com a certeza de que o caminho que trilho foi aquele que escolhi e os meus passos são firmes e seguros.

A história que Woody Allen produz neste filme revela-nos a ambição como a maior armadilha de todos os tempos. A ela subjugam-se vontades, reprimem-se desejos e resigna-se uma vida inteira de frustração, mágoa e arrependimento, por tudo o que se deixou para trás nessa senda desenfreada de chegar ao topo. Por outro lado, este magnífico realizador mostra-nos como as trivialidades mais comuns das relações humanas acabam por ser sempre cumpridas, como um puzzle em que, por muitas peças que se misturem, havemos de chegar invariavelmente à mesma imagem, aquela que encaixa no padrão comum: luxúria, traição, cobardia, medo, entre muitos outros sinónimos daquilo em que se transformou a humanidade.

O destino ou a sorte ditam muitas vezes o que fazemos com as nossas vidas e, embora ainda tenha a certeza que comando a minha, sei que este é um jogo de interacção com os outros e, por muito que me dedique às coisas que quero, não posso lutar contra o que é. Por vezes depara-mo com situações estranhas, em que a vida me prega partidas e baralha as minhas convicções. Nessas alturas, sinto vontade de me deixar levar, mas viver ao sabor da corrente é perder a oportunidade de sermos nós próprios, de conquistarmos os nossos objectivos e realizar a missão que nos confiaram.

O que tiver que ser, será, mas nós somos os principais responsáveis pelos êxitos e fracassos que suportamos. A vida é um jogo, mas nós ditamos as regras e lançamos os dados.

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