Precious
Não há palavras para descrever as horríveis sensações que um filme como Precious nos transmite. A revolta gritante que nos toma de assalto perante um caso, infelizmente tão comum, sobre a falta de humanidade em actos, brutalmente selvagens, como os de abuso sexual entre familiares.
Andamos uma vida interia a tentar convencer-nos que somos pessoas dignas de amor, que merecemos o melhor, que somos seres sensíveis, bondosos e inteligentes. É insuportável pensar que existem pessoas que, num acto de irracionalidade, deitam por terra todas estas características inerentes a qualquer ser humano, levando-o a encarar a sua vida como inútil, desprezível e miserável.
Ser mãe/pai é uma benção, uma oportunidade de manifestarmos amor na sua plenitude. Não consigo conceber a insanidade que uma mãe ou um pai possam ter para cometer tais actos. Como pode um ser inocente, inofensivo, ser sujeito a tais barbaridades? Como podemos encher o mundo de amor, se guardamos ódio nos nossos corações, indignados perante este absurdo?
Depois de reflectir, não posso deixar de agradecer por tudo o que tenho na minha vida. Amanhã, quando acordar, apesar do frio, do sono e das intermináveis filas de trânsito, vou sorrir e pensar que, pelo menos eu, posso enviar uma centelha de amor para o mundo e, quem sabe, acalmar os corações daqueles que sofrem pela carência deste sentimento.
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