A minha Herança, Barack Obama


Demorei algum tempo a ler o primeiro livro escrito por Barack Obama. Não tanto pela narrativa, que me pareceu simples, concisa e objectiva, mas mais pela emoção contida em cada palavra. A minha Herança conta a história de um homem que procura, desesperadamente, um sentido para a sua vida, uma forma de a tornar única e especial.
Um homem é o que é pelo sangue que lhe corre nas veias, pelas vivências dos seus antepassados, pela história que lhe deu origem. Rege-se pelas condições que lhe são oferecidas. Pela coragem de enfrentar novos e ambiciosos desafios.

Barack Obama é um homem inteligente, astuto, bondoso e, até, caridoso. Um homem que aceitou carregar sobre os ombros a herança da raça negra, com os seus medos, dúvidas, e a revolta perante os maus tratos que a humanidade inflinge a si própria. Este homem nunca quis renegar as suas origens, aceitou-as e tomo-as como suas, procurando entendê-las e honrá-las.

Penso que a sua grandeza é abafada pelas condições que regem a política. Uma das frases do livro que me faz pensar isto é, precisamente, quando a irmã mais velha de Barack lhe diz que “os políticos acabam sempre desiludidos”. De facto, a política está muito longe de ser um meio para alcançar a verdade, justiça e paz no mundo.

Barack Obama interviu directamente na sociedade, reviu-se em cada homem, mulher e criança dos bairros degradados de Chicago. No entanto, é no seio da família, na busca do sentido para tudo isto, que encontra o seu caminho. O seu pai era um homem inteligente, bom, generoso, que se superou a si mesmo, mas que, por ser demasiado sonhador, acabou por se afastar do sistema que rege as relações entre os homens. Acreditava que a sabedoria lhe iria abrir todas as portas, mas esqueceu-se que neste mundo não se vive de conhecimento, mas sim de troca de favores.

Talvez a presidência dos Estados Unidos seja um presente envenenado para um homem que sabe que o limiar entre o sonho e o abismo é uma linha muito ténue.

Eu acredito que é tudo uma questão de inspiração, fé e “audácia da esperança”.

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