O Vento dos Outros, Raquel Ochoa


Conheci a Raquel Ochoa num workshop que frequentei na Trama. Foi com ela que despertei para a Escrita Criativa, dando largas à minha imaginação, procurando soltá-la das amarras impostas pela sociedade em que vivo e os limites que me habituei a percorrer sem questionar. Atravessei a fronteira dos meus próprios pensamentos, percorri novos horizontes de imagens, sons, cheiros e paladares. Saboreei um infindável número de novas sensações, aquelas que nos fazem sonhar sem restrições ao que é certo e errado, apenas com o dever de cumprir o que de mais sagrado habita em nós: a liberdade de voar para onde o desejo possa alcançar.

"O Vento dos Outros" é a primeira obra literária desta jovem escritora. A Raquel é licenciada em Direito e usa as palavras com uma fluência admirável. A escrita é descritiva e envolvente. O recurso a metáforas permite-nos momentos de pausa na narrativa, em que nos deixamos transportar pelas palavras e podemos testemunhar de forma real o que lemos por e entre as linhas. É um livro onde conhecemos a autora e a sua extraordinária viagem pelos Andes. Viajamos com ela pela Costa Rica, Perú, Chile e Patagónia Argentina. Se fechar os olhos consigo imaginar a imponência das montanhas, as suas formas peculiares, a natureza circundante e o sentimento de magnificência que esta visão nos proporciona.

A narrativa vai mais além da descrição da viagem e das sensações que esta evoca, é ainda um relato, não exaustivo, mas esclarecedor, da cultura destes povos. Os quatro meses em viagem são descritos de forma realista, não omitindo contratempos, desilusões e até eventuais perigos, que autora experimentou com audácia e um pouco de sorte, que nunca deixa de acompanhar jovens aventureiros que se lançam neste mundo com a sede insaciável de conhecimento.

Após a leitura, fiquei com imensa vontade de conhecer os Andes, não para escrever um livro, ou para me lançar quatro meses numa viagem emotiva e desafiante. Faria algo mais simples, conhecendo algumas cidades  de referência e adaptadas ao turismo, pois não dispenso um mínimo de conforto e segurança. Mas, porque a ideia de realizar um dos muitos trekkings descritos me deixa absolutamente extasiada. A montanha transmite-me paz e liberdade e esses elementos constituem o meu ponto de equilíbrio, aquele que procuro alcançar todos os dias nas planícies de alcatrão que percorro diariamente.

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