A crise de ideias

 
A história da crise já é velha. De tão usada, já perdeu o interesse. É urgente inventar qualquer coisa nova que ocupe os jornais, a televisão e as banais conversas que se cruzam por aí.
O real problema é que a crise é de ideias. Como diz Inês Pedrosa, numa crónica publicada na revista Única de 12 de Fevereiro, "A crise fundamental é a de ideias: os sistemas económicos tradicionais estoiraram, e não se adivinha ainda o que poderá vir a substituí-los. Seria mais fácil adivinhar se tivéssemos tempo para pensar. Tempo livre - para ler, viver, e sobretudo pensar."
As pessoas já nem tiram prazer dos simples actos de passear, apanhar sol, estar ao ar livre e conviver com a natureza. Os jardins são gratuitos e há tantos e tão belos por todo o país. Os museus são gratuitos ao domingo e os bilhetes da Cinemateca só custam 2,5€. Há imensos concertos gratuitos, é só procurar e estar atento.
O que me inquieta é a educação que hoje em dia se dá às crianças e jovens, que têm cada vez menos hábitos de leitura ou interesses culturais. Ainda há uns dias, numa conversa à hora de almoço, ouvia a mãe de uma adolescente de 13 anos contar o castigo que lhe havia dado, por ser muito conversadora nas aulas, apesar de ser boa aluna: acesso interdito ao Facebook e ao telemóvel e não poder ir com os colegas da escola a uma viagem a Espanha (este último não é um castigo real, pois ela irá de facto à viagem). O mais absurdo em tudo isto foi pensar que, quando eu tinha 13 anos, o que foi apenas há 17 anos atrás, nada disto me fazia falta! Não havia Facebook, aliás, nem computadores, não havia telemóveis e era muito pouco provável ir a uma viagem a Espanha com os colegas da escola. O que se castiga, sobretudo, são vícios. Que desperdício ocupar os tempos livres com computadores e telemóveis. Nos dias de hoje, com tanta informação disponível, até é falta de respeito pela evolução do mundo não investir mais tempo no conhecimento, usando as ferramentas disponíveis de forma útil e produtiva.

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