Invictus
O novo filme de Clint Eastwood é muito mais que uma lição de vida, ou um marco histórico na política conduzida por Nelson Mandela. Invictus é um exemplo de humanidade, a redenção perante os desafios mais grandiosos da vida, aqueles que nos obrigam a aceitar o que é, mesmo acreditando no que não é.
Perdoar não é um gesto, tão pouco um estado de espírito, é uma aceitação plena da nossa condição humana de errar. Os erros fazem-nos crescer, mas também nos humilham, subjugam, principalmente, quando estas condições estão fora e não dentro de nós, quando nos causam sofrimento e nos fazem sentir injustiçados.
A dictomia branco/negro, longe de ter sido ultrapassada, ganha todos os dias novos contornos. Há cada vez mais pessoas a procurarem conhecer as raízes que nos conduziram ao que somos hoje. A mistura de raças é um resultado dos descobrimentos, do colonialismo e até da globalização.
O conhecimento, que tornou o branco superior ao negro, subsiste, porque as pessoas continuam a aceitá-lo, sobretudo, os negros. Contudo, também esta condição se baseia na história das civilizações, pois as lutas tribais, a poligamia e a pobreza já faziam parte da maneira de viver dos negros.
A evolução da espécie poderia tê-los modificado, mas os brancos precepitaram tudo isso, inundando-lhes as vidas simples e modestas com os seus costumes, hábitos, leis e religião. Os brancos tinham-se como superiores, mas não usaram essa sua condição para melhorar as vidas dos negros. Aproveitaram-se das suas terras, humilharam-nos, subjugaram-nos e não lhes deram uma oportunidade de serem melhores. Esta arrogância dos brancos levou à revolta, que se previa inevitável. Por muitos anos que passem, o negro há-de sempre desconfiar do branco, pois o branco é ganancioso, individualista e continua a ser superior.
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